Set
24

Kandumbu, um dia receber-me-ás de novo!

Tudo começou em Janeiro de 2010 quando decidi entrar para o GASTagus e, assim, iniciar a caminhada rumo a esta grande experiência que foi fazer voluntariado no continente Africano!

Durante esta caminhada tivemos várias formações para nos prepararmos para o que iríamos enfrentar em África; organizámos vários eventos e vendas para angariarmos dinheiro para os nossos projectos; tivemos alguns fins-de-semana onde nos juntávamos todos, e , desda forma, fortalecíamos os laços e uníamos o nosso grupo. Claro está, como não podia deixar de ser, cada voluntário do GASTagus fez voluntariado cá em Portugal. Eu estive a dar explicações de matemática, mas também poderia ter feito voluntariado em clínicas psiquiátricas, casas de acolhimento para mães adolescentes, lar de idosos ou noutro sítio qualquer.

Após longos meses, todos preenchidos com actividades do GASTagus e estando completamente preparadas, cada uma das três equipas partiu no início de Agosto para África, mais concretamente para Angola, Cabo Verde e São Tomé e Principe. O destino em que me colocaram foi Angola e lá parti eu então para esta experiência única!

Chegámos a Angola ao final do dia e partimos de imediato para Benguela, onde ficaríamos instalados no Bairro do Kandumbu e cumpriríamos a nossa missão de voluntariado. No primeiro passeio pelo bairro, no dia seguinte à chegada, começámos logo a perceber o que nos esperava: uma grande atenção por parte de todos, mas principalmente por parte da imensidão de crianças que brincam e passam o dia na rua. A alegria que todos transmitem ao nos verem é tremenda e contagiante! A simplicidade daqueles miúdos, as coisas que inventam para se divertirem, a criatividade que têm para transformar qualquer pedaço de lixo num brinquedo e se divertirem horas e horas, é fantástica! Mas mais fantástico ainda é eles serem muitíssimo felizes com tão pouco… Dá que pensar!

O que fizemos? Demos várias formações a professores (Inglês, Matemática, Programação, Sistemas Digitais, Educação Moral e Cívica, Francês e Química); explicações a alunos, aulas de Francês na escola do Bairro; leccionámos várias palestras sobre “Respeito e Boas Maneiras”, “Sexualidade e gravidez na adolescência”, “Álcool, Drogas e Delinquência Juvenil”; formação e consultas no centro médico do bairro; passámos filmes de animação para as crianças (e o que elas deliram a ver os filmes!); e tínhamos ainda a “Hora da Criança”, onde fazíamos algumas experiências e actividades lúdicas com várias crianças, ou seja, diverti-los de uma forma educativa.

Pessoalmente estive envolvido nas formações na área de Informática, em algumas palestras, nas explicações, na Hora da Criança e nos filmes. Gostei muito de desenvolver todas estas actividades, porque, em cada uma delas, cresci e ganhei muito; ouvi muitas histórias sobre Angola por parte dos professores com quem estive; diverti-me imenso com as crianças, e vi, na cara dos alunos, a satisfação em estarem a assistir a palestras dadas por nós. Senti-me muito útil!

Este mês, neste bairro, com aquelas pessoas é, sem dúvida, um dos grandes marcos da minha vida. É complicado expressar por palavras o que uma experiência deste nível nos transmite, mas é mesmo uma experiência que nos faz crescer como seres humanos de uma forma tremenda. Dá-nos uma capacidade de adaptação a outras realidades, assim como de alterarmos no momento tudo o que tínhamos planeado, porque simplesmente não se adequa ao público-alvo. Aumenta-nos ainda a capacidade de organização (quer no terreno em si, quer ao longo de todo o ano através das várias actividades que desenvolvemos). Para além disto, com as várias formações, fins-de-semana e dinâmicas que tivemos ao longo do ano e no terreno, criei uma grande capacidade de reflexão que me será muito útil daqui para a frente. Ter a capacidade de parar, olhar para trás, pensar sobre o que se fez, criar uma opinião, poder partilhar e ouvir as opiniões dos outros é fundamental para se estar sempre a evoluir! Já tinha feito várias actividades extra-curriculares, mas nenhuma teve tanto impacto como esta!

Muitas histórias, muitas experiências, muitas coisas que fizemos não estão aqui relatadas, só vivendo esta experiência é que se consegue perceber o impacto e o ganho que nos traz, por isso se quiseres saber mais sobre o nosso grupo vai a www.gastagus.org, porque em breve começará uma nova caminhada, ou então fala directamente comigo que poderei tentar dizer-te um pouco mais desta vivência que tive a sorte de ter!

“Temos de ser a mudança que queremos ver no mundo!” (Ghandi)

Kandumbu, um dia receber-me-ás de novo!

João Aguiam

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